Entenda os sintomas da meningite infantil a importância da família para prevenção da doença

Meningite é o nome dado à inflamação da meninge, que é uma membrana que recobre e protege o cérebro. A meningite é uma doença grave e preocupa devido à severidade de alguns casos, que podem evoluir a óbito ou a um dano no cérebro mais grave deixando sequelas. Costuma ser causada por agentes infecciosos, como bactérias, vírus e fungos. A meningite também pode ter origem em processos inflamatórios, como câncer (metástases para meninges), lúpus, reação a algumas drogas, traumatismo craniano e cirurgias cerebrais. Apenas as meningites bacterianas e virais são contagiosas.

Com prevalência na faixa etária pediátrica, principalmente naquelas crianças com menor responsividade imunológica, a meningite infantil costuma atacar os recém-nascidos e menores de dois anos e por isso é fundamental o papel da família na prevenção da meningite infantil. O primeiro cuidado, segundo o médico pediatra, em atuação como Neonatologista da Clínica Santa Helena e sala de vacinas Santa Helena, dr. Gean Carlo da Rocha, é com os hábitos de vida, alimentação e higiene, evitando exposição da criança em ambientes e situação que aumentam o risco de contágio.

A amamentação é fundamental na prevenção de várias doenças e no caso das meningites não é diferente. Através do leite materno, a mãe transfere anticorpos e propicia à criança uma forma natural de proteção contra várias doenças infecciosas. Se a mãe estiver com seu calendário vacinal completo, essa transmissão de anticorpos é ainda mais ampla. Portanto, a atualização do calendário vacinal da mulher, se possível antes da gravidez, é uma forma efetiva de proteção não só da mãe, mas também do seu filho, nos primeiros anos de vida”, esclarece dr. Rocha, que também reforça que embora a meningite seja mais comum na infância, também pode atingir adolescentes, adultos e adultos maiores de 60 anos.

Existem três tipos de meningites: a meningite bacteriana, a meningite viral e a meningite fúngica e os quadros são bastante semelhantes, com sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, rigidez de nuca (dificuldade para encostar o queixo no peito) e, algumas vezes, manchas na pele (tipo picada de mosquito). Em crianças pequenas, há também o abaulamento de fontanela (moleira inchada). A meningite bacteriana é um quadro grave e agudo, enquanto a meningite viral não é tão grave e o paciente costuma melhorar espontaneamente ao longo dos dias. O problema é que, habitualmente, não é possível distinguir uma meningite viral de uma meningite bacteriana apenas pelos sintomas. Por isso, atenção!

 

Para esclarecer sobre os tipos de meningite, o dr. Gean Rocha explica as características e os sintomas de cada uma:

Meningite bacteriana: é a mais grave e deve ser tratada imediatamente. Todas as meningites bacterianas têm letalidade alta, cerca de 20% dos doentes vão ao óbito. Quanto mais cedo iniciado o tratamento, maior a probabilidade de cura e se evitar sequelas. A evolução da doença é mais rápida e os principais sintomas são: febre alta, mal-estar, vômitos, dor forte de cabeça e no pescoço, rigidez de nuca e, às vezes, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo. Esse é um sinal de que a infecção está se alastrando rapidamente pelo sangue e o risco de septicemia aumenta muito. Nos bebês, a moleira fica elevada. As bactérias mais comuns são Streptococcus pneumoniae (meningite pneumocócica)Haemophilus influenzae e Neisseria mengitidis (meningite meningocócica).

Meningite viral: o quadro é mais leve. Os sintomas se assemelham aos das gripes e resfriados. A doença acomete principalmente as crianças, que têm febre, dor de cabeça, um pouco de rigidez da nuca, inapetência e ficam irritadas. Uma vez que os exames tenham comprovado tratar-se de meningite viral, a conduta é esperar que o caso se resolva sozinho, como acontece com as outras viroses. A meningite viral é menos agressiva que a bacteriana, com taxa de mortalidade bem mais baixa e com resolução espontânea, sem necessidade de tratamento específico, na maioria dos casos.

Meningite fúngica: é uma forma rara, sendo, geralmente, resultado da propagação de um fungo através do sangue para as meninges. A meningite fúngica é típica de pacientes imunossuprimidos, como nos casos de portadores de AIDS ou câncer e não é contagiosa.

Importante: os sintomas característicos dos quadros de meningite viral ou bacteriana nunca devem ser desconsiderados, especialmente em duas faixas etárias extremas: nos primeiros anos de vida e quando as pessoas começam a envelhecer. Na presença de sinais que possam sugerir a doença, a pessoa deve ser encaminhada para atendimento médico de urgência.

 

TRASMISSÃO DA MENINGITE INFANTIL

De acordo com o dr. Gean, as meningites virais e bacterianas são transmitidas de uma pessoa para outra pela tosse, espirro e pelas mãos sujas no caso de alguns vírus, em vias fecal-oral, oral-oral, respiratória. O modo mais comum de contágio da meningite é através do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. Ao contrário da crença popular, a meningite não é transmitida com tanta facilidade como a gripe, e um contato prolongado é necessário para o contágio. Familiares, colegas de turma, namorados e pessoas que residem no mesmo dormitório são aqueles com maior risco. Contatos ocasionais, como apenas um comprimento, uma rápida conversa, ou dividir o mesmo ambiente por pouco tempo oferecem pouco risco.

“A maioria das pessoas que se contaminam com o meningococo não desenvolvem doença. A bactéria fica na orofaringe durante algum tempo até ser eliminada pelo sistema imunológico. Apesar de não desenvolver a meningite, as pessoas contaminadas podem transmitir a bactéria para outras, tornando-se transmissores assintomáticos e transitórios da bactéria”, declara o pediatra.

COMO DEVO PREVINIR MEU FILHO DA MENINGITE INFANTIL

Embora seja uma doença grave e que possa levar a óbito, existem alguns cuidados que podem prevenir a doença e garantir uma infância e vida saudável para o seu filho. O pediatra, dr. Gean, listou algumas recomendações:

  • Hábitos de vida saudáveis são importantes na prevenção da maioria das doenças: alimentação adequada, boa ingestão de líquidos, prática regular de atividades físicas, cuidados adequados de higiene pessoal e ambiental.
  • Lavar as mãos frequentemente – ao chegar do trabalho; antes de preparar, servir ou comer alimentos; depois de usar o banheiro; após auxiliar uma criança a utilizar o banheiro; após trocar fralda; após assoar o nariz, tossir ou espirrar.
  • Proteger o nariz e a boca com o braço ao espirrar ou tossir.
  • Não secar as mãos em toalhas úmidas. Em local coletivo utilizar de preferência toalhas descartáveis.
  • Manter o ambiente limpo e arejado.
  • Alimentos: lavar e desinfetar as frutas e verduras.
  • Limpar os reservatórios de água de abastecimento com solução clorada.
  • Utilizar filtro ou bebedouro para água potável.
  • Desinfetar filtros e bebedouros regularmente.
  • Separar os utensílios de uso individual, em especial das crianças.
  • Todos que tiveram contato prolongado ou íntimo com um paciente com diagnóstico meningite bacteriana, devem iniciar tratamento profilático com antibióticos nas primeiras 24 horas após a identificação do caso. Essas pessoas devem ficar em observação por 10 dias (não é necessário internamento) e devem procurar atendimento médico ao surgimento de qualquer sintoma. Essa profilaxia reduz em 95% a chance de infecção, além de eliminar o estado de portador assintomático da bactéria, reduzindo, assim, a cadeia de transmissão.

VACINA PARA PREVENÇÃO DA MENINGITE INFANTIL

Só há vacinas disponíveis contra meningites bacterianas. E como a meningite pode ser causada por mais de um tipo de bactéria, não existe uma vacina única que previna todos os casos, no entanto, há vacinas individuais contra as principais bactérias e algumas delas, inclusive, fazem parte do calendário básico de vacinação.

“O melhor momento para vacinação é até 1 ano de idade, porque este é o período em que as meningites são mais frequentes, mais graves e apresentam mais riscos de sequelas ou mesmo morte”, recomenda o pediatra.

Como não há necessidade de prescrição, a princípio, qualquer pessoa pode receber as vacinas contra a meningite. Como a maioria das vacinas, estão contraindicadas em caso de reação anafilática a componentes da vacina. As doenças agudas e graves não contraindicam a vacinação, mas recomenda-se adiar até melhora do quadro. Para melhor orientação, recomenda-se conversar com seu médico ou procurar informações com os profissionais que atuam nas salas de vacinação.

Veja o esquema resumido de aplicação das vacinas, que o dr. Gean preparou para facilitar a compreensão:

 

  • Vacina contra Hemophilus B: três doses a partir de 2 meses de idade, com intervalo de 2 meses entre elas e um reforço entre 15 e 18 meses;
  • Vacina Meningocócica conjugada ACWY: três doses no primeiro ano de vida (aos 3, 5 e 7 meses), uma dose de reforço entre 12 e 15 meses e outros reforços aos 5 e 11 anos. Para adolescentes: duas doses com intervalo de 5 anos. Para adultos: dose única. Outras doses de reforço poderão ser recomendadas a critério médico, a partir da análise de risco (epidemias, surtos etc.), se dose anterior foi aplicada há mais de 5 anos. Caso não seja possível a utilização desta vacina, aplicar a vacina meningocócica C (disponível na rede pública), cujo esquema no primeiro ano de vida é de 2 doses, aos 3 e 5 meses, com mesmas recomendações para as doses de reforço;
  • Vacina meningocócica B: três doses no primeiro ano de vida (aos 3, 5 e 7 meses), uma dose de reforço entre 12 e 15 meses;
  • Vacinas Pneumocócicas 10 e 13-valente: três doses, o mais precocemente possível a partir dos 2 meses de idade, com intervalo de 2 meses entre as doses e um reforço aos 15 meses. Para crianças que já completaram esquema de vacinação com a vacina 10 valente, uma dose suplementar da vacina 13 valente deve ser avaliada, para ampliação da proteção contra os sorotipos adicionais.

 

Apesar das importantes melhorias no diagnóstico e no tratamento, dr. Gean alerta para a meningite, pois ainda se mantém como uma das doenças mais preocupantes na pediatria, pois mesmo os indivíduos que sobrevivem ainda podem apresentar sequelas, que vão desde leves dificuldades escolares até a paralisia cerebral, passando por várias formas de defeitos físicos e intelectuais, incluindo a surdez parcial ou completa.

 

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