Não tem jeito, o seu corpo vai mudar!

Uma das grandes preocupações das mulheres em engravidar está na mudança corporal e no medo em não conseguir voltar à forma. Para uma mulher que já é sarada então… este medo aumenta exponencialmente! Só ela sabe as renúncias e os esforços que foram e são necessários para atingir e manter a forma. Mas quando a maternidade fisga…. não tem jeito, é preciso mudar alguns hábitos e se acostumar com a nova forma (que muda diariamente), assim como a loucura dos hormônios. E para confortar as mulheres que praticam exercício: manter o peso durante a gestação é possível e é um dos sinais de boa saúde conquistado a partir de hábitos simples e saudáveis!

Lembra da Ju? Seis meses de gestação e nenhuma graminha a mais.

Para esclarecer alguns mitos e trazer muuuitas verdades sobre exercício físico, batemos um papo com a personal trainer Thalita Hartmann, que já vai logo dizendo: “Para evitar o ganho excessivo de peso na gestação eu sempre oriento as mulheres que é importante dissuadir-se da ideia de que é preciso comer por dois. Ganhar além de 12 quilos pode ser ruim tanto para mãe quanto para o bebê. E nada de parar com os exercícios! Basta adaptar os exercícios à sua nova condição, desde que preserve o corpo de grandes impactos. Prefira exercícios leves, para não perder os tônus e muito alongamento para manter o equilíbrio, que será afetado com o novo peso na barriga, favorecendo problemas de coluna” esclarece.

O treinamento funcional é uma opção que vem arrebatando muitas mulheres, já que traz um conceito de atividade física que imita os movimentos naturais do cotidiano. Costuma ser bem dinâmico, diferente dos treinos convencionais. É bem conhecido por trabalhar diferentes capacidades físicas baseadas em movimentos como andar, correr, abaixar, puxar, esticar etc. Dessa forma, é possível realizar um trabalho completo em todo o corpo. “É um treinamento que deve ter uma função específica para o indivíduo que o procura. Todo treino deve seguir uma metodologia apropriada para cada um dos praticantes, sem ultrapassar limites e, claro, trazendo benefícios”, conta a personal, que também é instrutora e praticante de treinamento funcional. Ela garante que a prática é indicada, inclusive para crianças, idosos, atletas, prevenção de lesões, gestantes e pós-parto!

“Além da tonificação muscular, o treinamento funcional implica maior complexidade do movimento e envolvimento de várias capacidades físicas. Isso faz o organismo ter um gasto energético muito maior, possibilitando excelente definição e força musculares, a melhora da flexibilidade, otimização da coordenação, equilíbrio e condicionamento cardiorrespiratório, além do emagrecimento. Isso tudo além de motivação e do aumento da autoestima”, esclarece.

Ok, mas é possível manter o treinamento funcional intenso, mesmo durante a gravidez?

Thalita responde: O treinamento funcional é feito para todos e todos são feitos para ter um corpo funcional. Portanto quando se descobre que esta grávida, a primeira etapa é consultar um médico e realizar todos os exames necessários. Após a liberação médica, esta aluna poderá retornar aos treinos sem problema algum. No caso de sedentarismo, é preciso prescrever um treino apenas para sua necessidade nesse período gestacional. “Os treinos não têm a necessidade de serem intensos, mas se minha aluna já está acostumada com a prática de HIIT (High Intensity Intermittent Training), por exemplo, esta será adaptada, já que movimentos rápidos, ângulos extremos, saltos com giros etc nada tem a ver com a necessidade de uma gestante”, conta.

Até porque, durante a gestação o corpo da mulher sofre diversas mudanças. Já nas primeiras semanas, as alterações hormonais já alteram a rotina e como ela se sente no dia a dia. No decorrer da gravidez, conforme o bebê e a barriga vão crescendo, o centro de gravidade altera, o peso aumenta nos membros inferiores, podendo aparecer inchaços, dores e câimbras. “Quando estamos com uma aluna gestante, brincamos que a cada dia é uma aluna nova, pois as alterações hormonais, enjoos, azias, sono e alterações posturais fazem com que devemos adaptar o treino a cada dia, para ser funcional”, brinca.

O treinamento funcional, portanto, auxilia no controle de peso das gestantes e ajuda a proporcionar alívio de estresse. O fortalecimento de pernas, por exemplo, ajuda (e muito), a gestante a se movimentar melhor e até mesmo nas tarefas do dia a dia, como sentar e levantar do sofá, ir até o mercadinho enfim! “São as panturrilhas que auxiliam o retorno do sangue de volta para os membros superiores, elas fazendo o papel do nosso segundo coração. E é claro o fortalecimento dos braços também é essencial, afinal serão eles que irão segurar o filhote que dia a dia aumenta de peso. Muitas mamães sofrem com dores nos ombros e o funcional auxilia não apenas no fortalecimento, mas também ajuda a grávida a ter consciência corporal para segurar a criança de forma correta, para que não tenha dores, ou até mesmo tendinites”, declara.

 

A gestante pode manter os treinos diários até qual período da gestação?

Thalita esclarece: Em alguns períodos é preciso diminuir o ritmo, mas é possível manter as atividades físicas até o fim da gestação. Os exercícios de maior utilidade durante toda a gravidez são os aeróbicos, os calistênicos (os que utilizam o peso do próprio corpo como resistência), os respiratórios e os de Kegel, que fortalecem os músculos pélvicos. Mas é importante perceber os limites do próprio corpo em cada fase e seguir as indicações de médicos e preparadores físicos que podem ajudar. Confira a divisão dos treinos das gestantes em 3 fases, que são os trimestres gestacionais:

Primeiro trimestre

A primeira fase da gravidez requer muita atenção e cuidado. Como já falamos, assim que a mulher descobre que está esperando um bebê, é fundamental que procure o médico ginecologista e se informe do que está liberada para fazer ou o que é melhor deixar para lá para garantir a saúde do bebê. Para quem já está acostumada com atividades físicas intensas é natural que o ritmo diminua, e os exercícios que trabalham contração abdominal e o assoalho pélvico (região dos genitais) serão cortados. Para quem não tem o costume, mas pretende começar com os exercícios, é essencial contar com a ajuda de um profissional de educação física. É preciso respeitar os limites do corpo neste período, pois a gravidez ainda é muito frágil. Além disso, o próprio corpo pede descanso.

Segundo trimestre

Nesta fase, a grávida começa a se sentir mais segura, então é possível intensificar um pouco os exercícios. Os enjoos não são mais tão frequentes, a disposição e o humor estão melhores. Então é hora de se mexer. As mães atletas podem apertar o passo. O treino fica mais focado nos braços e costas, as caminhadas e deslocamentos já fazem o trabalho da região inferior.  E apesar das atividades abdominais serem abolidas da lista de exercícios, já são permitidas as atividades que estimulam a contração pélvica.

Terceiro trimestre

Na última fase da gestação é hora de diminuir o ritmo de novo. Até porque o próprio corpo não te libera para excessos. Mas isso não quer dizer parar. Na gravidez saudável e sem riscos, é possível continuar a se exercitar até os últimos dias antes do parto. Outra boa opção além dos exercícios funcionais nessa fase, é o Yoga, que ajuda a controlar a respiração em uma fase que respirar já não é mais tão fácil.

Contraindicações

Todos os cuidados são fundamentais para a segurança da mãe e do bebê, pois os exercícios podem acarretar riscos quando feitos acima do limite materno, em condições desfavoráveis e sem o acompanhamento de um profissional capacitado. Todos os sintomas e feedbacks devem ser passados ao treinador. E os exercícios são contraindicados, segundo a personal, caso a gestante tenha algum desses sintomas:

Doença miocárdica descompensada, insuficiência cardíaca congestiva, tromboflebite, embolia pulmonar recente, doença infecciosa aguda, risco de parto prematuro, colo uterino incompetente, placenta prévia, sangramento uterino, isoimunização grave, doença hipertensiva (não controlada), diabates (não controlada), suspeita de estresse fetal, paciente sem acompanhamento pré-natal, rotura da bolsa, retardo do crescimento intrauterino, macrossomia e desordens: cardiovasculares, respiratórias e sistêmicas.

“Existem alguns outros fatores nos quais bem orientados e com cautela o treinador consegue beneficiar a gestante e aliviar dores e sintomas, como hipertensão, diabetes, gestação gemelar”, diz. O mais importante: exercício na gestação nada tem a ver com estética. “Estamos gestante, não somos gestante. Por isso, devemos aproveitar a maternidade desde o primeiro mês”, finaliza.

 

Bora colocar esse corpo para se mexer?

 

Foto capa: Wil Koetzler.

Foto interna: arquivo pessoal da Thalita.

Comments

  1. […] físicos: Como já falamos aqui no blog, para não ganhar muito peso, o ideal é praticar exercícios regulares durante toda a gravidez. […]

  2. […] modalidades altamente recomendadas são Pilates e Treinamento Funcional, pois os movimentos realizados ajudam a prevenir e amenizar a dor lombar que incomoda muitas […]

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