O segredo da amamentação – DICAS

Expor o seio ao sol, usar secador de cabelo e buchas, fazer massagens – todas essas receitas não garantem o preparo da mama antes do nascimento para a amamentação.  Segundo o pediatra e neonatologista da Clínica Santa Helena, dr. Remaclo Fischer, a amamentação tem a ver com a pega adequada do recém-nascido à mama, que não deve abocanhar o mamilo e sim a auréola, evitando a pressão sobre o mamilo e aquelas terríveis fissuras e rachaduras, que levam muitas mamães a não aguentarem a amamentação.

 

A alimentação da mãe também é muito importante para a amamentação. “Existe um conceito dos primeiros dias do bebê, que compreende toda a gestação e os dois primeiros anos de vida. Uma alimentação da mãe balanceada, saudável, sem excessos de gordura, de frituras e carboidratos durante a gestação e o período do aleitamento é importante para a chamada programação metabólica do recém-nascido e posterior vida adulta. Isso resulta em crianças e adultos com menor índice de cardiopatias, hipertensão, síndromes metabólicas, diabetes, alteração de colesterol”, explica o dr.

 

Além da alimentação balanceada, a hidratação da mamãe também é essencial para melhor amamentar o bebê. Paralelo a esses cuidados, o pediatra esclarece que a própria sucção do bebê no mamilo também envia estímulos para o sistema nervoso central, que libera hormônios produtores de leite. Então, anota essa: ingestão de líquidos, dieta balanceada, ambiente tranquilo e longe de estresse, assim como a sucção frequente do bebê são fatores que vão te ajudar no sucesso da amamentação!

 

Vantagens amamentação

Começa pela liberação do hormônio ocitocina, que aumenta a contractilidade do útero no pós-parto reduzindo sangramento e facilitando a recuperação da mãe;

Redução da incidência de diabetes;

Redução do peso ganhado durante a gestação;

Redução da incidência de câncer de mama e de ovário, além é claro, do forte vínculo com o filho durante o período da amamentação.

 

Benefícios para o bebê

São inúmeros, começando pelos imunológicos, pela alta quantidade de anticorpos transmitidos pelo leite materno, que reduz infecções de toda ordem – sejam gastrointestinais, respiratórias e outros sistemas;

Benefícios digestivos, visto que uma proteína humana é de muito mais fácil digestão, reduzindo incidência de cólicas e melhorando o funcionamento do intestino do bebê;

Prevenção de alergias, que evita como a exposição precoce à leite de vaca, às famosas alergias à leite que causam diversos sintomas, como diarreia, doenças de pele e redução do ganho de peso;

Desenvolvimento neuropsicomotor, visto que o leite materno possui gorduras especiais que facilitam o desenvolvimento cerebral;

 

Vínculo com a mãe, que também é (muito) importante para o desenvolvimento da criança, que sente o afeto e o aconchego mais intenso.

 

“Após o nascimento é ideal que o bebê faça a sua primeira amamentação nos primeiros 30 minutos de vida para que o início da sucção, aprendizado de amamentação seja o mais rápido possível, independente se a mamada for altamente produtiva. O processo de descida do leite demora de 3 a 4 dias para que tenha uma produção de alta quantidade e o bebê deve ser estimulado a uma pega adequada, que não fique pegando apenas o mamilo e sim a auréola completamente. Deve-se estimular a livre demanda para que tenha um ritmo de sucção e libere hormônios produtores de leite”, aconselha o médico.

 

Ele também diz que é importante um treinamento prévio ao nascimento sobre aleitamento e uma interação com a equipe de enfermagem e pediátrica para o sucesso do aleitamento, lembrando que é preciso sugar e a mãe ingerir líquidos e estar tranquila.

 

Quase sempre o leite produzido pela mãe é saudável, se a mãe está em boas condições de saúde, boa alimentação, ela tem tudo para ter um leite saudável – mesmo mães com alguns problemas nutricionais conseguem ter um padrão de aleitamento materno desde que tenham um bom nível de hidratação. O que acontece é que o leite em quantidade pode demorar até quatro dais para ter uma quantidade adequada, mas a qualidade com certeza é igual para todas as mães, esclarece dr. Remaclo.

 

“Não deve existir uma regra fixa de intervalo de amamentação. A sugestão que se deixa é que o bebê não fique longos períodos do dia sem mamar, ele deve ser estimulado ao peito caso esteja a mais de 3h sem mamar. Lembrando que não é uma obrigação, mas pode facilitar o aleitamento, visto que quanto mais o bebê mamar, mais vai ter estímulo de produção de leite. Na madrugada também, é prudente que se estimule o bebê a não ficar sem mamar”, aconselha.

 

Até quando amamentar?

Segundo o pediatra, o aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês do bebê, sendo após este período, entram os alimentos semi sólidos, as famosas papinhas – carne, verduras, legumes e hortaliças, assim como papas de frutas. Assim sendo aumentada a consistência e quantidade de alimentos até nove meses, quando o bebê passa a ter a alimentação, praticamente, da família, com uma consistência progressiva. O aleitamento deve ser mantido de maneira complementar até os dois anos de idade – período que a criança já come toda a dieta da família e está mais livre de alergias alimentares, tem o sistema imunológico mais adequado, não precisando mais dos benefícios do aleitamento materno e estando apto ao momento pré-escolar.

 

CINCO DICAS PARA O SUCESSO DA AMAMENTAÇÃO

Confira as dicas que o dr. Fischer sugere para que todas as mamães consigam amamentar e contribuam com a saúdem do seu bebê:

Informação antes do nascimento – consulta com pediatra, curso de aleitamento materno, orientações no pré-natal sobre cuidados com o bebê para que haja um bom entendimento sobre as principais técnicas de amamentação, intervalo, tempo;

Evitar parto antes das 39 semanas, priorizando parto normal;

Faça um bom treinamento da pega do recém-nascido, que servirá de estimulante de produção de leite;

Ingira muito líquido e tenha uma boa alimentação;

Faça a amamentação em ambiente tranquilo, longe de estresse.

 

Entrevista cedida por dr. Remaclo Fischer Jr.

Pediatra/Neonatologia da Clínica Santa Helena Florianópolis

Ex-presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria

 

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